sexta-feira, 24 de março de 2017

Confissão

Confissão
Há madrugadas como essa que eu penso seriamente em tirar minha vida. Penso no sentido da minha vida e não encontro razão para viver. Sabe porquê? Estou com 28 anos completos e ainda não terminei meu Curso Superior (meu sonho de ser professor indo pelo ralo), estou desempregado, solteiro, sozinho, solitário, sem mulher, sem filhos, sem ter a quem transmitir meu legado. A guria por quem sou apaixonado e amo, não tá nem aí para mim. Tenho vivido estes últimos dias só para comer e dormir e não tenho perspectiva nenhuma de evoluir. Sinceramente, depois que ela me deixou, eu não vejo nenhum futuro para mim. Logo, seria melhor morrer. Tenho pedido a Deus para que eu durma e não acorde.
Há dias que nem a bebida ou os vícios mundanos me consolam ou satisfazem. Então o que estou fazendo neste mundo?
Feito um porco, estou chafurdando na lama. Minha vida é uma merda. Hoje estou melodramático.
Não estou pedindo nada demais a Ele, apenas que Ele que me deu a vida, tire-a de mim. Só. Morrer dormindo. Sem dor, sem sentir, sem ver.
Às vezes, penso em conjurar o Anjo da Morte e pedir que ele leve minha alma para repousar.
Tenho me feito uma única pergunta: “você ver no horizonte alguma perspectiva de melhora, de evolução deste quadro de letargia?” e eu por mim só não consigo ver.
Minha alma é antiga e traz consigo toda uma carga de sofrimentos de vidas passadas. Só uma coisa me deixa feliz em saber: que tudo que eu viver e sofrer nesta existência, será a última vez. Não reencarnarei mais. Nunca mais.
Só lamento ter encontrado o amor da minha vida nesta existência, desde os primórdios dela eu a tenho buscado e justamente aqui eu a encontrei e que foi um alento para minha alma, mas que infelizmente, ela seguiu outro caminho. Tudo bem. Vou embora e a deixarei aqui neste mundo sombrio. Ela voltará outras vezes, eu não. E isso me mata dia após dia. Meu coração está cansado de pulsar só por pulsar, só para bombear sangue das artérias para todo o corpo, mecanicamente dando-me vida. Eu cria que fosse viver aquele amor surreal, coisa de conto de fadas, mas não, tudo chegou à um fim. Não um “felizes para sempre” como é de praxe nesses tipos de histórias. Foi mais uma espécie de sonho, que por mais que tenha durado uma noite (a melhor de todos os meus 28 anos), mas que ao amanhecer, tive que acordar para a vida real, o mundo real.


Souza, terça-feira, 21 de março de 2017, às 01:12 hs.

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