Voltando a reescrever este blog por motivos especiais, um novo amor em minha vida, que me faz querer mudar, ser melhor por mim e por ela. Pena que seus pais não entendem esse sentimento e acham que possa interferir em sua vida, de forma negativa.
A partir de agora, irei escrever mais poesias, relatos de meus dias, de meus sonhos, planos e expectativas com política, ciência, religião, atualidades... Espero que meus leitores gostem e comentem...
Por que a criação de gado foi a principal atividade no processo de colonização de Sergipe?
Felisbelo Freire, o primeiro historiador de Sergipe, ao analisar o processo de colonização de Sergipe já argumentava “O sergipano antes de ser agricultor foi pastor”, pois antes mesmo de Sergipe ser colonizado, fazendeiros baianos já aproveitavam as águas do Rio Real para matar a sede do gado e criar rebanhos nas imediações do mesmo. Com a ocupação do território, a capitania foi aproveitada para criação de gado, se valendo dos rios na região, fornecendo carne bovina e animais de carga para as capitanias vizinhas. Isso permitia que as capitanias da Bahia e Pernambuco, se dedicassem prioritariamente a produção canavieira. O nome de muitas cidades sergipanas revelam a importância da pecuária na sua origem: Campos Novos do Rio Real (atual Tobias Barreto), Malhador, Curral das Pedras (atual Gararu), Campo do Brito, bem como, outras povoações que tem sua origem relacionada com a pecuária, a exemplo de; Simão Dias, Nossa Senhora da Glória, Porta da Folha, Aquidabã e Riachão do Dantas.
Que conseqüências a opção pela pecuária trouxe para a colonização de Sergipe?
As primeiras sesmarias a princípio foram dadas aos soldados de Cristóvão de Barros, mas também, havia distribuições de lotes de grande porte para famílias mais abastadas da capitania baiana. Logo, o latifúndio e a concentração de terras é resultado desse processo, o que tem resquícios até hoje. No entanto, vale ressaltar que a pecuária ao contrário da produção canavieira não exigia grande quantidade de mão-de-obra escrava, logo, grande parte do território sergipano teve uma ocupação mais democrática e menos hierarquizada.
Quem foi Belchior Dias Moréia?
Belchior Dias Moréia era um proprietário de terras proprietário da fazenda “Jabiberi”, no atual município de Tobias Barreto que organizou entradas no território sergipano a procura de metais e pedras preciosas. Tornou-se um dos personagens mais emblemáticos do período colonial, por ter afirmado teria encontrado ouro e prata na Serra de Itabaiana, em 1619. Como a Coroa Portuguesa ansiava por descoberta de metais preciosos em sua colônia, a notícia logo se espalhou e Belchior Dias ganhou notoriedade. Pressionado pelas autoridades portuguesas recusou dar a localização das minas o que o levou a prisão. Morreu em 1622 sem revelar o segredo. Após outras expedições portuguesas, as autoridades consideram o episódio uma farsa de Belchior Dias Moréia, visto que, não encontraram a ditas minas de prata e ouro.
No dia 07 de junho de 2003, foi fixada no trevo que dá acesso aos municípios de Poço Verde e Lagarto, a margem da Rodovia Lourival Baptista, uma estátua em homenagem ao vaqueiro Simão Dias, vaqueiro esse que deu nome a essa Terra. A estátua foi uma doação da Indústria e Comercio de Cal e Tintas – Votorantin, atendendo a solicitação do idealizador do projeto, Alexandre do Nascimento Barreto Júnior (Chefe do Departamento de Turismo da Secretaria Municipal de Educação). A referida obra foi produzida por Jorge Alves Siqueira (‘Zeus’), talentoso artista plástico, que humildemente fez nascer à escultura mediante as características históricas, que se aproximassem da figura do vaqueiro Simão Dias, pesquisadas por Alexandre do Nascimento Barreto Júnior, Denisson Déda de Aquino, Marcelo Domingos de Souza e Geraldo Henrique dos Santos Prata. É preciso mencionar que esse projeto iniciou em 1996, sofreu algumas intempéries no decorrer do tempo e só em 2003 foi concretizado. A execução do projeto idealizado Da esquerda para direita: Denisson Déda de Aquino, Alexandre do Nascimento Barreto Júnior, Geraldo Henrique dos Santos Prata e Marcelo Domingos de Souza visitando o local de trabalho de “Zeus”, para observando e discutindo sobre os detalhes e características que deveria ser incluídos na escultura. Alexandre do Nascimento Barreto Júnior observando o seu projeto tomando corpo acompanhado por Geraldo Henrique dos Santos Prata (a esquerda), Denisson Déda de Aquino (a direita) e o escultor “Zeus” (abaixado). Areia Branca-SE, 06-03-2002. Da esquerda para direita: Jorge Alves Siqueira (“Zeus”), Alexandre do Nascimento Barreto Júnior, Marcelo Domingos de Souza e Geraldo Henrique dos Santos Prata satisfeitos com o aspecto inicial da estátua. Areia Branca-SE, 06-03-2002.
Ex-prefeitos Marcos Ferreira de Jesus Cel. João Pinto de Mendonça Manoel Fraga Dantas 1935-1937 1937-1941 1942-1946 e 1941-1942 e 1946-1947 Cel. Cícero Ferreira Guerra Francino Silveira Déda Sebastião Celso de Carvalho 1946 1947 1947-1951 Nelson Pinto de Mendonça Cândido Dortas de Mendonça Pedro Almeida Valadares 1951-1954 1954-1959 1959-1963 e 1963-1967 Antonio Carlos Valadares Demeval Martins Guerra José Neves da Costa 1967-1970 1970-1971 1971-1973 José Matos Valadares Abel Jacó dos Santos Manoel Ferreira Matos 1973-1977 1977-1983 1983-1988 e 1992-1996 Josefa Matos Valadares Luiz Albérico Nunes da Conceição 1988-1992 1996-2000 José Matos Valadares voltou a exercer o cargo de prefeito municipal em 01 de janeiro de 2001. Atualmente apresenta uma grande aprovação do eleitorado, índices acima de 85% de aceitação pública, o que demonstra uma forte possibilidade de retorno ao cargo após 2004. Isto é, caso o mesmo deseje e o povo confirme nas urnas a sua aprovação.
O local onde está edificada a cidade de Sim? Dias foi, no passado, uma povoação de índios fugitivos das expedições colonizadoras do Governador do Norte, Luis de Brito e Almeida. Esses índios se estabeleceram nas matas da margens do Rio Caiçá. As terras do município constituem um relevo acidentado devido à presença de um conjunto de serras, com altitudes que oscilam entre 200 a 750 metros. Isso favorece a existência de uma vegetação menos vulnerável a estiagens típicas do sertão. As zonas de terras entre Simão Dias e Paripiranga, município da Bahia, são formadas por terrenos acidentados, onde é possível verificar a existência de matas fechadas, devido à impossibilidade de cultivo de cereais e pastagens. Nessa mesma zona, existem inúmeros sítios onde se cultivam árvores frutíferas e culturas de subsistência. Esse relevo proporcionou aos índios que primeiro povoaram essa região um verdadeiro oásis, frente ao sertão. Daí a origem das diversas denominações que constam em documentos históricos, como: “Matas de Simão Dias”, “Matas do Coité” ou “Matas do Caiçá”. Com a invasão holandesa em Sergipe, surge a determinação de conduzir os rebanhos até as margens do Rio Real. No entanto Braz Rabelo, proprietário baiano, que possuía rebanhos nas terras da atual Itabaiana, decide esconder seus rebanhos nas terras das matas à beira do Rio Caiçá. Desse episódio é que surgirá a figura histórica do vaqueiro Simão Dias, responsável pela condução do gado e pelo surgimento das primeiras instalações que daria origem à cidade Simão Dias passou da categoria de Vila para a de Cidade, em 12 de Junho de 1890, por decreto do presidente do Estado Felisbelo Freire, sob o argumento que a mesma possuía uma grande população — 10.984 pessoas, um comércio próspero, uma estrada de ferro que ligava a referida Vila a Aracaju, bem como, a existência de uma comarca recém criada. Com base nesses argumentos a Vila foi emancipada do município de Lagarto. A estrada de ferro, que serviu como uns dos argumentos para a emancipação política da antiga Vila, jamais foi concluída, restando hoje, algumas escavações e bases de pontes por onde passaria as linhas férreas, que permanecem abandonadas em fazendas da região. O nome do município é uma homenagem ao colono que remonta aos primeiros tempos da ocupação do território sergipano. Trata-se de Simão Dias Francês, que nos anos de 1599, 1602 e 1607, juntamente com Cristóvão Dias e Agostinho da Costa, através de requerimento, solicitaram a concessão de sesmarias na região. O último requerimento, do qual o códice está no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, solicita “três léguas de terra em quadro” nas terras devolutas de Itabaiana,, para a criação de gado. Felisbelo Freire que além de presidente do estado foi também historiador afirma:
“Os terrenos onde está edificada hoje (1891) a Vila de Simão Dias foram doadas a Simão Dias Fontes, Cristóvão Dias e Agostinho da Costa”.(FREIRE: 1997, p..322).
No entanto a tese sustentada pelo historiador Felisbelo Freire foi alvo de contestação pelo Pe. João de Matos Carvalho, que tinha a intenção de homenagear o Comendador Sebastião da Fonseca Andrade (Barão de Santa Rosa) pela construção do templo da atual matriz de Santana. O Pe. João de Matos se aproveitou das contradições encontradas nas várias teses sobre a origem da povoação, pois os documentos históricos que falavam de Simão Dias, em cartas de doação de sesmarias, possuem sobrenomes diversificados, além de solicitarem sesmarias em períodos diferentes. Diante disso, para o Padre João de Matos Carvalho, havia a possibilidade de existir dois personagens históricos com o mesmo nome. Na intenção de provocar controvérsias e enfraquecer a tese de Felisbelo Freire, ele publicou uma obra intitulada “Matas de Simão Dias”, na qual defende veemente a tese de que a cidade teria se originado graças à doação de sua ancestral Ana Francisca Menezes. O objetivo era levantar a dúvida sobre a versão histórica, bem como, menosprezar a figura do vaqueiro e enaltecer a figura da sua ancestral, doadora das terras onde foi edificada a primeira capela que originou a freguesia de Santana de Simão Dias. Antes de ter “status” de vila, o atual município foi constituído como Freguesia, pela Lei de 6 de fevereiro de 1835, desmembrando-se da Freguesia de Lagarto. A capela que motivou a sua criação data de 1655, conforme defende historiadores. No entanto o único documento antigo sobre o assunto é de 1784. Devido ao progresso da Freguesia o governo da Província baixou em 15 de março de 1850, o decreto que elevou à categoria de vila com o nome de Senhora Sant’Ana de Simão Dias. Assim, o município de Simão Dias, teve essa denominação desde a condição de freguesia e vila. Mas o nome que homenageava o seu primeiro povoador permaneceu pouco tempo, pois o intento do Pe. João de Matos Freire de Carvalho foi alcançado, e em 25 de outubro de 1912, a cidade passaria a ser denominada como Anápolis, pelo Decreto Lei de n° 621. Após muitas controvérsias e reações, principalmente da imprensa, o nome de Simão Dias foi restabelecido pelo Decreto Lei n° 533, de 7 de dezembro de 1944, favorecido pela determinação do Governo Federal, do então Getúlio Vargas, que aprovou o plano do IBGE, coibindo a coincidência de municípios com mesma denominação. Como existia um município goiano com o mesmo nome, e mais antigo, a Anápolis sergipana teve que modificar o nome. Quanto à política, o município simãodiense teve uma longa fase de domínio oligárquico, aonde o poder local era exclusivo aos grandes proprietários rurais. A práticas coronelistas estiveram presentes nessa fase, sendo possível verificar resquícios do coronelismo até os dias de hoje. No entanto a partir da década de 1930, é que começa a decadência dos grandes proprietários na política local, devido às mudanças ocorridas em decorrência da revolução, bem como, o fenômeno populista desenvolvido a partir da década de 40.Texto publicado no site da Prefeitura Municipal de Simão DiasPor Marcelo Domingos de Souza Licenciado em História - Universidade Federal de Sergipe